Baker queima Daniel Jones à toa – “alvo” nas expectativas dos Browns só aumenta com isso

CLEVELAND, OH - SEPTEMBER 20: Baker Mayfield #6 of the Cleveland Browns celebrates after making a catch on a two-point conversion attempt during the third quarter against the New York Jets at FirstEnergy Stadium on September 20, 2018 in Cleveland, Ohio. (Photo by Jason Miller/Getty Images)

Não há time mais falastrão e cercado de expectativas do que o Cleveland Browns de 2019. Barrado um início de temporada com o freio-de-mão chamado Hue Jackson, os Browns poderiam ter ido para os playoffs já no ano passado. Adicione uma pitada de Odell Beckham Jr e reforços defensivos, colocando um pouco de Pittsburgh Steelers sem Antonio Brown e Le’Veon Bell e, para terminar, um Baltimore Ravens dizimado pela free agency e com questionamentos sobre Lamar Jackson e temos o favorito da AFC North. 

Ante esse panorama, os Browns tornaram-se, ao mesmo tempo, duas coisas: menina dos olhos e alvo. Justamente por conta disso, por mais que admire a personalidade de Baker Mayfield – confesso que em alguns momentos falo o que me vem à cabeça também – não posso deixar de dizer que, nesta semana, ele errou. Justamente por conta das expectativas e do alvo nas costas. 

Baker deu entrevista para a GQ – espécie da finada Revista VIP, lá nos EUA – e sem mais nem menos, teceu comentários ácidos sobre Daniel Jones, calouro que foi escolha número #6 do Draft pelo New York Giants. Enquanto a entrevista rolava, um segmento no SportsCenter americano era veiculado e o tema era Jones. O quarterback dos Browns, então, disse: “Não posso acreditar que os Giants pegaram Daniel Jones”. O ponto de Baker era sobre a campanha de Daniel Jones na carreira em Duke, com fracos 17-19. “Me espanta. Às vezes as pessoas pensam demais, é aí que erram, elas esquecem que você tem que vencer”, disse em referência ao histórico de Jones na universidade que fica em North Carolina e é bem mais famosa pelos seus times de basquete. 

De fato, Baker tem um ponto. Por outro, não. Por outro mais além, menos ainda. Tim Tebow foi um quarterback vitorioso no college, por exemplo, e nada vez de muito relevante além da Tebowmania durante uma reta final de temporada. Eu sou um dos grandes críticos da escolha dos Giants – sobretudo pela questão de custo de oportunidade. Suponha que você está numa loja em promoção e está louco por um videogame que praticamente só você quer mas uma TV também está em promoção e vai acabar logo. Você pega o quê primeiro? A TV, certo? Pois bem, em vez de pegar um jogador defensivo com potencial os Giants foram no videogame – aí reside a questão do custo de oportunidade, conceito de economia crucial para entender o Draft.

O ponto, claro, é que analisar essas coisas é minha profissão. Baker, embora falastrão, precisa tomar cuidado. Ao comentar sobre uma escolha contestada do maior mercado da liga sendo que já há uma certa expectativa nos Browns… O tiro pode sair pela culatra. Era evitável. Longe de ser necessário falar sobre um colega de profissão. Coisas que a maturidade nos traz – um dia já pensei como ele, hoje, não mais. 

Agora, vida que segue. A entrevista, contudo, só coloca um alvo maior ainda nas costas de Mayfield, Odell e de todo Cleveland Browns. Se não forem competitivos nesta temporada, as palavras voltarão com o dobro de força. 

Fonte: http://www.espn.com.br/blogs/antonycurti/764758_baker-queima-daniel-jones-a-toa-alvo-nas-expectativas-dos-browns-so-aumenta-com-isso